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EXPERIÊNCIAS DA VIDA DOS PAIS MOLDAM O PERFIL GENÉTICO DAS CRIANÇAS
Sabemos que as regulagens geradas pelo meio ambiente podem ser passadas de geração em geração.
Um estudo importante publicado pela Universidade de Duke em de agosto de 2003 sobre biologia molecular e celular mostra, por meio de ex-periências com ratos, que um ambiente rico pode ter influência mais forte que as mutações genéticas (Waterland e Jirtle, 2003).
Nesse estudo, cientistas observaram os efeitos de suplementos dietéticos sobre ratas prenhes com genes de cutia. Este tipo de rato costuma apresentar pelagem amarelada e obesidade extrema, o que o predispõe a doenças cardiovasculares, diabetes e câncer.
As irmãs cutias: fêmeas cutias de um ano de idade geneticamente idênticas. Suplementos metiladores da doadora materna alteram a coloração da pelagem de amarelo para marrom e fazem com que a incidência de obesidade, diabetes e câncer seja reduzida (Foto: cortesia de jirtle e Waterland©).
Na experiência, um grupo de cutias-mães amarelas e obesas recebeu suplementos ricos em metil do tipo encontrado em lojas de produtos alimentares: ácido fólico, vitamina BI2, betaína e colina.
Esses suplementos foram escolhidos porque muitos estudos mostram que o grupo químico metil está associado a modificações genéticas. Ao entrar em contato com o DNA, esses nutrientes modificam as características das proteínas cromossômicas reguladoras.
Se elas se juntam ao gene e o envolvem, a carcaça de proteína não pode ser removida e as informações do gene não podem ser lidas. Assim, o DNA metilado pode impedir ou modificar a atividade do gene. Dessa vez, as manchetes de "Dieta supera os genes" estavam corretas.
Ratas que tomaram metiladores tiveram filhotes de tamanho e peso normais e pelagem marrom, apesar dos genes cutia que herdaram da mãe.
Já as que não tomaram os suplementos produziram filhotes amarelos, com tendência a ingerir quantidades muito maiores de alimentos que os filhotes marrons e que dobraram de peso muito mais rápido que eles.
A fotografia mostra claramente as diferenças. Embora os dois ratos sejam geneticamente idênticos, têm aparência completamente diferente.
Um é magro e marrom enquanto o outro é amarelo e obeso.
Outra diferença é que o amarelo é diabético enquanto o marrom é totalmente saudável. Outros estudos mostram que os mecanismos epigenéticos são um fator importante em diversas doenças, entre elas o câncer, os problemas cardiovasculares e a diabetes.
Na verdade, apenas cinco por cento dos pacientes de câncer ou que apresentam problemas cardiovasculares podem atribuir suas doenças a fatores hereditários (Willet, 2002).
A mídia alardeou a descoberta do gene do câncer de mama, mas deixou de mencionar que 90 por cento dos casos desse tipo de câncer não está associado a genes herdados.
A maioria ocorre por alterações induzidas pelo ambiente e não por genes defeituosos (Kling, 2003; Jones, 2001; Seppa, 2000; Baylin, 1997).
As evidências epigenéticas foram tantas que alguns cientistas mais tradicionais começaram a mencionar o nome de Jean-Baptiste de Lamarck, o evolucionista antes tão desdenhado, que acreditava que os traços adquiridos por influência do ambiente podem ser transmitidos. A filósofa Eva Jablonka e o biólogo Marion Lamb declaram em seu livro publicado em 1995, Epigenetic inheritance and evolution - the lamarchian dimension [Herança epigenética e evolução - a dimensão lamarquiana]: "Nos últimos anos, a biologia molecular mostrou que o genoma é mais amplo e suscetível ao ambiente do que se imaginava.
Mostrou também que as informações podem ser transmitidas aos descendentes de várias maneiras, não apenas por meio da sequência básica do DNA" (Jablonka e Lamb, 1995).
Em meu trabalho de laboratório, pude testemunhar diversas vezes o impacto do ambiente modificado nas células que estava estudando. Porém, foi somente no final de minha carreira de pesquisador, em Stanford, que a mensagem se tornou mais clara em minha mente. Percebi que a estrutura e a função das células endoteliais (da mucosa dos vasos sanguíneos) se modificavam dependendo do ambiente a que eram expostas.
Quando eu adicionava produtos químicos inflamatórios à cultura, as células se transformavam rapidamente em macrófagos, os limpadores do sistema imunológico responsáveis por eliminar corpos estranhos. O mais interessante foi constatar que mesmo após eu ter destruído o seu DNA com raios gama elas ainda se transformavam.
Ou seja, mesmo "funcionalmente enucleadas", essas células endoteliais conseguiam modificar seu comportamento biológico em resposta a agentes inflamatórios da mesma maneira que faziam quando tinham seus núcleos intactos. Isso me mostrou claramente que apresentavam algum tipo de controle "inteligente" apesar da ausência de genes (Lipton, 1991).
Vinte anos se passaram desde que meu mentor Irv Konigsberg me orientou a analisar o ambiente quando as células estudadas adoecem, mas somente agora compreendo exatamente o que ele quis dizer.
O DNA não controla a biologia e o núcleo não é o cérebro das células. Assim como eu e você,elas são moldadas pelo ambiente em que vivem. Então, finalmente entendi a célebre frase: é o ambiente, sua besta.
Fonte:
Bruce H. Lipton é uma autoridade internacionalmente reconhecida na ponte entre ciência e espiritualidade e um representante proeminente da nova biologia.
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