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Destaques

Eternidade

  "Respondeu Jesus: "Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho, deixará de receber cem vezes mais já no tempo presente casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna." (Marcos 10:29-30) No filme Gladiador, Maximus Decimus Meridius, levando suas tropas para a batalha, declarou: "O que fazemos em vida ecoa na eternidade." Essa é uma afirmação verdadeira. O que fazemos em vida ecoa na eternidade. Agimos como se tudo o que pode ser feito devesse ser feito durante nossa vida na terra, e temos de fazer tudo o que pudermos com o nosso tempo, habilidades e recursos. Há um grande elemento de verdade nisso, porque nós certamente não queremos desperdiçar as nossas vidas. E quando a vida é interrompida ou dificultada por uma deficiência ou uma doença, quando uma criança ou um jovem morre, pensamos: Que tragédia! Que perda! Depois, há ...

Sacrifício, Perda e a Matemática Divina




O Eco da Eternidade: Sacrifício, Perda e a Matemática Divina


Há uma matemática no reino de Deus que contradiz toda lógica terrena. Jesus apresentou-a de forma desconcertante: quem perde por causa dEle e do Evangelho, na verdade, ganha mas ganha de um modo que inclui, paradoxalmente, a perseguição. Não é uma troca simples, uma compensação imediata e livre de dor. É uma transação cósmica, cujos juros plenos só serão percebidos na perspectiva da eternidade.

A fala de Maximus, "O que fazemos em vida ecoa na eternidade", é mais profunda do que uma simples exortação ao heroísmo. Ela aponta para uma verdade fundamental: nossas ações não são eventos isolados, confinados ao tempo. Elas geram ondulações que atravessam a barreira do finito e ressoam no infinito. Cada ato de amor, cada renúncia por um propósito maior, cada dor aceita em nome da fé, não se perde no vácuo. É semente.

Vivemos, no entanto, como se o palco da existência fosse apenas este: o aqui e o agora. Medimos o valor de uma vida por sua produtividade, sua duração, seu impacto visível. Por isso, a deficiência, a doença precoce, a morte de um jovem, nos parecem tragédias absurdas investimentos interrompidos, sinfonias inacabadas. E, em nossa miopia temporal, nos indignamos quando vemos o "desperdício" de um potencial promissor, enquanto uma vida longa e vazia persiste. Nossa métrica é cruelmente limitada: acreditamos que o que não floresceu *neste* solo, jamais florescerá.

Essa angústia revela nossa crença oculta: de que o universo é, em última instância, injusto e aleatório, e que a morte é o silenciador final de todas as histórias.

A Escritura, porém, desfaz esse nevoeiro com uma revelação radical: Deus não perde nada. Ele não é um administrador negligente dos talentos que distribui. A vida que Ele concede é uma semente eterna. O que parece ter sido ceifado no verde, Ele replanta em solos que nossos olhos não podem ver, em eras que nosso relógio não pode medir. A morte, para quem está em Cristo, não é o ponto final; é uma vírgula, uma transição para um capítulo onde as limitações da queda são removidas e o potencial, dado por Deus, atinge sua plena expressão.

O sacrifício, portanto, nunca é em vão. Quando você deixa algo seja segurança, reconhecimento, afeto ou conforto por amor ao Evangelho, você não está simplesmente perdendo. Está, na contabilidade divina, investindo. E Deus, que não é devedor de ninguém, honra esse investimento com uma taxa de retorno que embaralha nossa razão: "cem vezes mais". Não como um mero retorno material, mas como uma expansão exponencial de pertencimento, de família espiritual, de significado e, sim, inclusive da capacidade de sofrer por um nome que é acima de todo nome.

A perseguição, nessa equação, não é um erro de cálculo. É o sinal de que a transação é autêntica, de que você tocou os interesses do reino das trevas. É a prova do investimento.

Por fim, haverá um acerto de contas final. Naquele dia, diante da luz que dissipa todas as sombras, olharemos para trás, para as renúncias, as lágrimas, os "nãos" que dissemos a nós mesmos para dizer "sim" a Ele. E naquele instante de clareza absoluta, um só pensão inundará nossa alma: tudo valeu a pena. Cada perda terá se revelado ganho. Cada lágrima, uma semente de glória. E o eco de nossa obediência, que pareceu se perder no vácuo do tempo, descobriremos que, na verdade, vibrava para sempre no coração da eternidade.

Não vivamos, então, como se tudo tivesse de ser realizado agora. Vivamos com a confiança de que o melhor o fruto pleno, a alegria completa, a realização total está guardado, não perdido. E que nosso dever não é esgotar o potencial da vida nesta era, mas ser fiéis ao Dono da vida, que sabe como fazê-la ecoar, perfeita e redimida, na eternidade que já começou. 


Publicado por Ativos Espirituais
Conteúdo dedicado à consciência, espiritualidade e compaixão por todas as formas de vida.

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