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Porque Existe o Amor?
De modo a podermos encontrar um sentido para a nossa existência temos que aprender a amar-nos.
Este tipo de amor é diferente daquele que é expresso fisicamente com um parceiro. Naturalmente, quando somos amados, é mais fácil gostarmos de nós mesmos, e é por essa razão que necessitamos do amor dos outros.
Tal confiança muito dificilmente pode ser fabricada. Quando experienciamos o amor dos outros, cremos que a nossa existência é útil a eles e, por este motivo, começamos a amar-nos.
Trata-se dum amor baseado na ajuda mutua e no partilhar de emoções. Por outras palavras, o amor só se manifesta quando existe confiança, honestidade e interesse em contribuir para a felicidade de outra pessoa.
Mas estes princípios estão também na base do amor-próprio, confiança na nossa capacidade para ultrapassar dificuldades, honestidade nos nossos objectivos e interesse em contribuir para a nossa felicidade pessoal através de projectos, planos e hábitos que a promovam.
Pensa que uma pessoa que entra no hábito de beber álcool em excesso, fumar drogas ou tabaco, e desperdiçar seu tempo com festas, e promiscuidade está tentando ser feliz? Não.
Esta pessoa está ignorando sua necessidade de ser feliz. Ela já desistiu de si mesma.
E agora está simplesmente a tentar viver com isso. No amor-próprio obtemos mais vontade de viver e, na vontade de viver, procuraremos aquilo que nos faz feliz, mantendo o propósito da nossa vivência.
Quando encontramos esse propósito, não mais carecemos do amor do outro, mas iremos mantê-lo, porque agora ele não é mais uma necessidade, mas sim um complemento ao propósito existencial que entretanto encontrámos.
E é por isso que o amor-próprio nos torna conscientes também das relações toxicas e destrutivas. Na verdade, a primeira coisa que um psicopata ou narcisista faz aos seus parceiros, é destruir seu amor-próprio, pois de outro modo não poderia controlá-los e forçá-los a satisfazer necessidades egoístas, em detrimento das suas.
Por outro lado, aquele ou aqueles que amamos verdadeiramente, encontram um sentido dentro dessa mesma dinâmica.
E por isso, o sentido do amor pode surgir de duas formas: O amor de que necessitamos para nos amarmos mais; O amor-próprio que nos leva a procurar quem o complemente.
Em ambos os casos, o amor nunca assume pré-condições ou regras humanas. O amor é perfeito em si, e, por isso, de um modo ou de outro, sempre se complementa.
Pois, o amor-próprio encaminha no sentido do amor ao outro, e o amor ao outro encaminha no sentido do amor-próprio. Até mesmo quando amamos alguém que não sabe como nos amar de volta, mas apenas magoar, podemos compreender isto.
Na felicidade de viver, encontramos o sentido do amor e, dando-lhe um sentido, encontramos o propósito da nossa existência.
Com aqueles que amamos compreendemos mais sobre quem somos e o nosso papel no mundo e, ao compreender isso, podemos melhor entender que caminhos devemos seguir para nos desenvolvermos espiritualmente.
Encontrá-los-emos sempre que fazemos o que aumenta o nosso amor-próprio e o amor ao outro. Isto, porque, nesse processo, iremos tomar ações que produzem resultados positivos ou negativos.
Nessa experiência, tomaremos consciência das regras que compõem a existência.
Quanto mais as conhecermos, melhor saberemos como atuar para produzir mais felicidade e menos infelicidade, sabendo que na felicidade obtemos mais prazer em viver.
A vida é, por isso, uma caminhada no sentido de compreender as regras que a regem, pois, na sua materialidade, aprendemos a viver neste mundo, mas na sua lógica infinita, aprendemos sobre nós, sobre a vida, sobre o universo e, em última instância, sobre o propósito de Deus.
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